quinta-feira, 31 de março de 2011

Nomenclatura Anatômica

Para que não haja, de nenhuma maneira, confusão de estruturas entre dois estudantes de anatomia, seja em um país, ou mesmo em qualquer parte do mundo, foi estabelecido um vocabulário internacional para a anatomia. Dessa forma a comunicação entre anatomistas e estudantes da área da saúde, de qualquer parte do mundo, se torna precisa e livre de confusões por utilização de termos diferentes para uma mesma estrutura. A norma para a designação do nome de estruturas segue a Terminologia Anatômica (International Anatomical Terminology), proposta pela Comissão Federativa da Terminologia Anatômica (Federative Committee on Anatomical Terminology),1998, que é o guia de referência internacional especializado em linguagem anatômica.

Os nomes anatômicos são listados pela Terminologia Anatômica (TA) em latim e seus equivalentes em português. Como exemplo pode-se citar o músculo do ombro que, em latim é designado musculus deltoideus e deltóide em português.

Os epônimos anatômicos, ou seja, a utilização de nomes de pessoas (geralmente do primeiro anatomista a descrever a estrutura), são populares entre clínicos e especialistas, embora estejam caindo em desuso. Exemplos de epônimos são o ligamento inguinal (ligamento de Poupart) e a tuba auditiva (trompa de Eustáquio). Os epônimos não são usados na nova terminologia anatômica, pois não oferecem informações sobre o tipo ou localização das estruturas envolvidas, além de muitos serem historicamente incorretos, como é o caso do ligamento de Poupart, exemplificado anteriormente.

A anatomia humana é estudada sobre três principais pontos de vista: anatomia sistêmica, anatomia regional e anatomia clínica ou aplicada.

A anatomia sistêmica compreende o estudo do corpo humano como sistemas separados, a pesar da clara relação tanto anatômica quanto fisiológica, existente entre os mais diversos sistemas. A divisão em sistemas tem fim didático, pois cada sistema tem partes ou tecidos semelhantes e participa na realização de funções particulares. Embora este método de estudo renda bons resultados, na prática tem valor apenas se for continuamente lembrado que existe uma íntima relação entre estrutura e função. Os sistemas são: o tegumento comum (dermatologia), consistindo na pele e anexos; o esquelético (osteologia) formado por ossos e cartilagens; articular (artrologia), formado por articulações e seus ligamentos associados; o muscular (miologia), composto pelos músculos; o nervoso (neurologia), constituído do sistema nervoso central e periférico; o circulatório (angiologia), formado pelos sistemas cardiovascular e linfático; o cardiovascular (cardiologia), que inclui coração e vasos sanguíneos; o linfático, formado pela rede de vasos linfáticos e pelos linfonodos; digestório (gastroenterologia), composto de órgãos e glândulas envolvidos desde a ingestão de alimentos até a eliminação de fezes, o respiratório (pneumologia) formado pelas vias aéreas e pulmões; urinário (urologia), formado por rins ureteres, bexiga e uretra; genital (ginecologia para mulheres; andrologia para homens), composto dos órgãos genitais, ductos e gônadas; endócrino (endocrinologia) formado pelas glândulas.

A anatomia regional trata das relações estruturais dentro das várias partes do corpo. Embora a aquisição e organização dos conhecimentos anatômicos sejam mais fáceis para o principiante que segue a anatomia sistêmica, os estudantes das áreas da saúde devem estar continuamente atentos para as relações das várias partes umas com as outras e com a superfície do corpo, afinal o objetivo de seus estudos é visualizá-las nos indivíduos vivos. Para o estudo da anatomia regional pode se considerar a organização do corpo humano como segmentos: um corpo principal, formado por cabeça, pescoço e tronco (subdividido em tórax, abdome, dorso e pelve, ou períneo), membros superiores (um par) e membros inferiores (um par). A anatomia de superfície é uma parte essencial da anatomia regional.

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